terça-feira, 20 de março de 2012

uma deliciosa tarde nos arredores de Viena

Essas fotos foram tiradas num restaurante onde um conhecido austríaco do meu esposo nos levou. Fica a uns 50 quilômetros de Viena. Pegamos um tipo de via Express e a seguir continuamos o percurso pegando umas estradinhas que atravessavam uns vinhedos. Não cruzamos muitos outros carros. Passemos por deliciosas aldeias que pareciam cenários de operetas.












Vejam como lugar é encantador. Adorei a decoração brejeira dos aposentos, os móveis rústicos decorados com motivos florais.











Numa mesa ao lado havia vários tipos de pão. Fomos convidados para escolher o que queríamos como acompanhamento dos nossos pratos. Tínhamos que cortar quantas fatias queríamos. Pelo que entendi, é costume local de se servir o pão deste jeito.














O prédio faz parte de uma antiga fazenda e deve ter uns cem anos. As vigas de madeira no teto atestavam o quanto o lugar é antigo. Eu pude tirar fotos a vontade porque não havia ninguém almoçando no interior do edifício. Todo mundo aproveitou o calor para fazer a sua refeição debaixo de uns guarda-sóis.













Amei o aparelho de calefação pintado de verde. Este lugar tem cara de casa camponesa que cheira a roupa bem lavada, o piso encerado e leitão assado. Tem cara de lugar onde vivem pessoas honestas e trabalhadoras














Os sinos de uma velha igreja, encostada nos fundos do terreno, dobravam de vez em quando. Não houve um carro passando por perto e nem um avião cruzando o céu. Só escutávamos o discreto barulho dos talheres, o zumbindo dos insetos e as vozes dos clientes falando baixinho.













Apesar do sol ardente do lado de fora, as salas estavam fresquinhas como em todos os edifícios antigos cujas paredes guardam o calor durante o inverno, mas refrescam durante o verão. Pergunto-me se uma moça já bordou o seu enxoval sentada neste sofá ou se uma noiva já leu a carta do amado sentada nesta cadeira.






Ao lado da minha mesa, varias plantas aromáticas cresciam num cantinho do jardim. De vez em quando o ajudante da cozinha vinha cortar alguns galhos que iam imediatamente para a panela!








Um cão gigante, da raça São Bernardo, andava no meio das mesas e parava diante da gente esperando um afago. Havia também um detalhe imprescindível para a tarde de verão ser completa: umas abelhas davam uns vôos circulares por cima dos nossos pratos e em torno da gente!









Eu pedi orientação ao moço que nos convidou. Falei que eu queria um prato tipicamente Austríaco. Ele me recomendou uma carne preparada com um molho feito à base de cogumelos. Vinha acompanhado de um tipo de bolinhos fritos (feitos com pão/ovos/cogumelos). Ao lado me foi servido um potinho de geléia de frutas vermelhas. Era para botar por cima do meu prato! Adorei tudo! Menos a geleia na carne!

um delicado salão de chá em Viena


Quando viajo, eu adoro procurar lugares charmosos para fazer pequenas refeições, tomar um cafezinho ou um chá. Não topo qualquer parada, não entro no primeiro bar da esquina quando bate a sede. Eu vou checar primeiro numa lista que guardo no bolso, qual é o lugar mais interessante que tem na redondeza.













Cada vez que íamos passear em determinado bairro de Viena, eu já tinha anotado duas ou três opções de casa de chá ou café, de preferência tombados como monumento histórico. Gosto de apreciar uma bebida refrescante ou fazer um lanche num lugar que seja um cenário digno de um sonho. Sendo a atriz principal da minha própria vida, adoro um DÉCOR.







Ao andar no centro de Viena, paramos nesta casa de chá charmosérrima, situada atrás da Catedral de Santo Estevão (Stephansdom). Ela chama se Haas & Haas. Tirei fotos da mesa onde sentamos. Vejam que lugar mais encantador e romântico. Havia uns salões internos, mas devido o calor, os clientes preferiam o jardim de inverno.












Tomei um chá chamado SWEET BAMBOO. Em anexo foto do cardápio exibindo todos os ingredientes contidos no meu chá! Uma delicia! (our newest green tea – creation with bamboo leaves, pineapple, papaya and natural grapefruit-flavour).










Têm charmosos moveis e adereços Chineses espalhados pela loja. Uma moça me fez provar uns chás frios com sabores de frutas. São bem vindos nesses dias de muito calor.














Depois de tomar o SWEET BAMBOO e comer uma torta típica, eu entrei na maravilhosa loja do salão de chá e comprei um saquinho cuja garota de propaganda é nada menos que a querida imperatriz SISI (com um único S, como os Austríacos escrevam).

Gustav Klimt

Visitar Viena sem ver uma obra de Gustav Klimt é algo inadmissível! Eu marquei um tempo na agenda apertada para correr até o palácio Belvedère. É lá onde esta exposta a sua mais famosa tela chamada O BEIJO. O palácio é belo, mas não podemos tirar fotos do interior e nem da sua escadaria suntuosa. Eu só fotografei o parque a partir do 1º andar.

Tem quadros de vários outros pintores famosos, como o Egon Schiele, por exemplo, mas eu estava mais interessada em ver somente o Klimt. Eu queria ir direto ao ponto, já que o meu tempo estava contado.

Subi no andar exato onde podemos encontrar a lasciva e fatal JUDITH com os olhos semicerrados e a boca entreaberta. Fiquei encantada com a tela representando Sonja Knips. Essa moça tem a aparência de uma flor delicada que acaba de desabrochar! Uma preciosidade! Infelizmente não foi possível tirar foto, era absolutamente proibido.

Fotografar um quadro em si não é muito interessante, já que podemos encontrar a imagem reproduzida centenas de vezes na NET. O bom mesmo é tirar fotos do pessoal curtindo, admirando a obra.
Todas as telas estavam penduradas da forma mais trivial, quero dizer nas paredes. Agora a mais famosa do Klimt tinha um lugar de destaque: Bem no meio de uma sala, presa a um suporte que a mantinha fixa no chão. Havia vários vigilantes de olho no público. Muitas pessoas estavam em pé, de boca aberta, visivelmente encantadas. Agora havia umas vinte jovens sentados no chão admirando O BEIJO. Estavam prostrados, ou melhor: pareciam hipnotizados. Era uma adoração quase religiosa.

Já que não foi possível fotografar a famosa tela e nem o pessoal babando diante dela, eu vou postar a foto do hall de uma loja que fica perto do meu hotel. O espírito do Klimt baixou no decorador do lugar!



Viena, cidade serena

Eu achei o pessoal visto nas ruas de Viena bastante normal. Não me deparei com muitas bizarrices como em Londres ou NYC. O pessoal parece sadio e equilibrado. Não vi doidos como em Los Angeles ou San Francisco. Não encontrei tampouco umas figuras metidas ou esnobes como em Paris. Enfim, Viena me pareceu uma cidade tranqüila e serena. É uma cidade burguesa na medida certa, sem muita pompa empoeirada.

Eu não vi gente *fashion*, não encontrei muitos lugares descolados. Graças a Deus! Não havia músicas *lounge* nos espaços onde eu jantei. Não vi sarados ou pessoas antenadas como em Barcelona. Que felicidade! Só encontrei gente comum, o que é uma raridade hoje em dia. O pouco do pitoresco que eu vi nesses cinco dias, foi o que eu vou apresentar neste post.




Primeiro, me deu vontade de tirar foto desta senhora sentada na porta de uma loja de brinquedos de madeira. Eu não tive como tirar de um ângulo mais interessante, tinha que sacar rapidamente a minha maquina antes dela notar. Achei divertido ver a seriedade dela contrastando com o boneco narigudo que parece estar zombando da sua vizinha de banco.







Eu gostei do visual meio dandy deste vendedor que ficava na porta da ótica fumando o seu cigarro e conversando com os transeuntes. Amei o colete de veludo coberto por um tipo de bordado e o lenço amarrado no pescoço.














E esses tamboretes na porta de um bar? Pena que não havia ninguém sentado neles. O efeito visual deve ser bem cômico, principalmente se um homem senta no assento com pernas de mulheres!










Postei também fotos de alguns azulejos colados na parte inferior de uma casa, quase perto da calçada. Achei charmoso. Será que são os nomes e os signos zodiacais dos moradores?

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As roupas típicas da Austria...



Amei ver umas pessoas vestindo as roupas típicas Austríacas. Encontrei algumas em eventos onde eu fui e em alguns restaurantes fora da cidade. Um Austríaco me explicou que algumas famílias usam essas roupas quase o tempo todo. Outras se vestem assim para ir à missa, para encontrar parentes em reuniões familiares ou comemorações como Natal. Ele me falou também que conseguia identificar quem usava a roupa somente por brincadeira, para fazer um tipo. Ele comentou que havia diferenças sutis nas roupas de cada região da Áustria e que ele sabia identificar de onde eram as pessoas.

Eu tirei a foto de uma jovem trajando um vestido típico. Ela estava almoçando no mesmo terraço onde eu me encontrava. Ao lado dela havia um belo jovem vestindo também roupas folclóricas. Ele usava uma camisa comum, cor de rosa, mas a calça era de carmução com bordados e vinha ate os joelhos. As pernas eram cobertas por meias grossas enfeitadas com pompons nas laterais.

uma elegante no museu Albertina de Viena

De vez em quando da para observar pessoas que se destacam na multidão. Uma delas me marcou, mas eu não tirei fotos. Era impossível tirar. Era um homem alto usando um chapéu panamá. Não tenho idéia de quantos anos ele tinha. Podia ser velho ou podia ser jovem. Ele tinha sido gravemente queimado e suas orelhas sumiram. O seu nariz havia derretido. Só sobravam dois buracos no lugar! Ele usava roupas coloridas e parecia curtir a vida. Era mais um turista na multidão. Ele não vivia escondido no fundo de um apartamento sombrio. Ele estava exposto ao olhar do outro em plena luz do sol de verão.

Agora a pessoa mais interessante que observei em Viena, foi uma mulher que descia as escadarias do museu Albertina. Eu vinha andando e reparei que os degraus eram enfeitados por faixas coladas na parte frontal de cada um deles. Visto de longe, a superposição das faixas exibia a imagem dos famosos nenúfares de Claude Monet cujos quadros estavam expostos no Museu.

Mesmo um pouco distante das escadarias, eu não pude deixar de ver uma figura diferente parada no topo dos degraus. Era uma mulher vestindo um longo vestido verde e usando um chapéu vietnamita na cabeça. Vejam que porte elegante quando ela está parada la em cima (1ª foto). Quando eu me posicionei para tirar foto, a mulher começou a descer. Eu usei o zoom, mas foi um pouco trabalhoso porque a silueta sumia o tempo todo devido ao movimento do corpo na descida. Quando ela estava chegando quase no final dos degraus é que eu pude retratá-la. Ela parecia me ver, me olhar. Parece que ela estava sorrindo para o meu objetivo. Eu tive que respirar fundo para me acalmar e não perder a concentração. O meu marido, ao meu lado durante o tempo em que eu tentava retratar a desconhecida, não parava de reclamar que queria ir embora.


Leopold Museum em Viena

Existem tantos museus em Viena, tantas exposições para ver... Como iríamos passar somente uns cinco dias e meio, eu tinha que deixar de lado um monte de coisas e escolher algo essencialmente Austríaco. Resolvi visitar o Leopold Museu que fica situado no Museumsquartier.













Eu fiquei encantada ao ver telas do Gustav Klimt e principalmente do Egon Schiele.

Os seus auto-retratos exibindo um rosto atormentado e atitudes provocantes me agradam muito.














Na praça que fica entre o Leopold Museum e o Mumok (museu de arte moderna), havia muitos sofás espalhados. Eu acredito que eles estavam à venda já que havia etiquetas com os preços em todos eles.

As pessoas aproveitavam para se deitar neles e assim ganhar um bronzeado!

O museu estava adequadamente refrigerado! Graças a Deus!



Não posso postar as ninfetas que Ego Schiele pintava. Não quero ver o meu blog detonado pela censura! Havia uma foto de Egon deitado na cama agonizando. Ele pintou até o fim. Ele faleceu da gripe Espanhola três dias após a sua esposa morrer da mesma doença. Ela estava no fim da sua gravidez e ele tinha somente 28 anos!

Saí do museu meio deprimida por causa desta foto dele falecendo! Ainda bem que o sol estava presente porque se chovesse, eu ia ficar na maior fossa! Não colocarei o retrato dele morrendo. Sou supersticiosa! Eu preferi tirar foto dele se admirando num espelho.

Gosto do traço vigoroso de Egon Schiele, dos seus nus quase pornográficos, mas eu só vou expor uma tela dele representando uma fachada de casas. (última foto).



Ao sair do Museumsquartier, dobramos a direita para pegar o ponto de taxi. Avistei um tipo de cabana arejada, com estrutura, mas sem parede (para deixar passar o vento). Havia três pisos divididos em vários nichos e em cada um deles tinha umas redes penduradas. Eram iguais aquelas vendidas na minha região, aqui no nordeste. Havia somente redes e nada mais. E dentro delas, uns Vienenses descansando e sonhando talvez com praias tropicais!

roupa comprada para a neta em Viena

Em todos os países que eu visito, eu gosto de comprar uma roupa típica para a minha neta. Durante a minha viagem, a outra avó vai mostrando o mapa e vai pesquisando, junto com a neta, as peculiaridades do lugar onde eu estou passeando.

Ao trazer essas roupas, quero repetir algo que a minha mãe fazia. Ela não viajava como eu, mas ela sempre me trazia roupas folclóricas que ela comprava nas ruas de Paris. Lembro até hoje das minhas charmosas blusas da Romênia e do meu vestido Vietnamita.


Eu acredito no poder do uso de uma roupa típica, assim como acredito no poder de um restaurante servindo comida de outro país. Eu acho que é assim que ascendemos a curiosidade por outros povos na cabeça de uma criança.


Eu levei os meus próprios filhos para provar comidas exóticas desde cedo. Assim eles não passaram aperto em nenhum lugar do planeta. Eles se adaptam em qualquer canto, são cidadãos do mundo. Quero plantar esta semente no coração da minha neta.

Eu me informei onde eu podia comprar um vestido típico e me recomendaram uma loja que fornece os Vienenses desde 1830! O pessoal usa ainda muito este tipo de vestimenta. Falaram-me que é uma roupa adequada para ir à igreja ou comparecer em comemorações. Vejam a roupa espalhada no balcão da loja. É a que comprei para a neta. Amanha ela vem almoçar aqui em casa. Eu tirarei fotos dela vestida de Austríaca! Claro que essa roupa não é muito adequada para os nossos trópicos, mas mesmo assim é um presente que sempre dou. Ele serve pelo menos para uma sessão foto ou então ele poderá ser usado numa peça de teatro onde a neta ira se apresentar.

Passeando no GRABEN em Viena


Caminhando pelas ruas do centro, eu avistei essa linda fachada belamente ornamentada com essas figuras coloridas. Eu não sabia onde olhar tanto havia prédios deslumbrantes. Ate o topo deles é enfeitado com estatuas bem grandes!








Entrei num prédio (estilo neobarroco) que o meu guia (editora Hachette) indicava. Chama se Palácio EQUITABLE e data de 1880. As escadarias são esplendorosas, mas não tirei fotos devido à falta de luminosidade. Agora tirei uma do teto do hall da entrada. Vejam que luxo!







A seguir eu cheguei ate o GRABEN. É uma movimentada e famosa via pedestre cheia de barzinhos e lojas situadas no lugar onde havia um fosso romano que foi aterrado na época medieval. O calor era muito grande. Havia turistas de todas as etnias, de todas as raças tomando sorvete e curtindo a vida. Umas japonesas se abanavam com os seus delicados leques e muitas escondiam as suas peles claras debaixo de umas sombrinhas de renda como nos quadros de Auguste Renoir.









Logo no final da GRABEN, eu entrei na igreja PETERSKIRCHE onde a imperatriz SISSI (Sisi para os Austríacos) adorava rezar. Eu ascendi umas velas pedindo proteção para a minha família. Em anexo, foto do do teto pintado.










as três meninas de Franz Schubert


Viena, cidade onde viveram tantas pessoas extraordinárias... como Sigmund Freud por exemplo. Não tivemos tempo para visitar a sua casa, deixamos isso para uma próxima visita. Passeamos diante de uma casa onde o Mozart viveu uns três anos. Eu nem visitei por dentro porque o meu guia (editora Hachette) dizia que praticamente nada tinha sobrado, e que nem se sabia se o Mozart trabalhava ou dormia naquele lugar.





Eu tinha certo preconceito em relação à Áustria. Minha família já sofreu bastante durante as duas guerras mundiais. Eu tinha um bloqueio e não me imaginava visitando a Alemanha ou a Áustria, pátria de um certo Adolf...








Só que aos poucos eu fui deixando de lado os meus temores do passado. Eu comprei um guia de Viena e um de Berlim, ano passado. Eu não fazia idéia de quando eu ia visitar esses lugares. Nem sabia se eu ia criar a coragem, mas de repente surgiu uma oportunidade. Meu esposo recebeu um convite então resolvi topar conhecer.





Eu achei o povo extremamente simpático e bem hospitaleiro. Eles respondem sorrindo quando perguntamos informações! Ah! Como eu gostaria que o meu povo fosse assim também! O meu marido já conhecia a Áustria. Ele visitou o país antes de me conhecer, long long time ago. Ele me falou que na época ele já tinha notado o quanto os habitantes são calorosos.











É tao perturbador descobrir uns edifícios onde viveram intensamente alguns habitantes ilustres. Passeamos na frente da casa onde Schubert recebia as suas amantes. É chamada de Dreimäderlhaus (casa das três moças/meninas). Vejam como é graciosa.

No centro de Viena

Recordar é viver...Resolvi mergulhar nas fotos que eu tirei em Viena. Irei aos poucos apresentar o que vi durantes esses quase seis dias nesta cidade encantadora. Não vou precisar escrever muito, as fotos falam por mim. Aqui algumas que eu tirei nos primeiros dois dias andando bem no centro. Eu reservei um hotel que fica num dos *RING*. São amplas vias que circulam o miolo mais antigo da cidade.

Andar por VIENA foi bem fácil. Munida do mapa eu guiava o meu marido. Eu programei todos os passeios e a última coisa que eu fazia antes de dormir, era estudar o percurso do dia seguinte. Tenho um bom GPS embutido no cérebro e consigo andar facilmente nas cidades que eu descubro. O problema é que eu queria tanto VER, que acabei extrapolando. Eu andei umas 6 horas por dia. Isso durante os dois primeiros dias.

De noite os meus pés estavam doendo muito. Nos outros dias, acabamos pegando uns taxi que são encontrados facilmente nos *RING*. Basta contornar o miolo e assim ir mais para o norte, leste, sul ou oeste. Após o taxi nos depositar no lugar do passeio, continuávamos o resto do passeio a pé. Não andamos de bonde, mas utilizamos o metrô que facilita tudo.

Os motoristas são Iranianos, Turcos ou Armênios. Como sempre puxamos conversa com eles, eles acabam sendo bem simpáticos com a gente. Principalmente quando descubram que o meu marido é Brasileiro. Logo eles vão falando futebol e citam os jogadores Brasileiros. Eles sabem mais sobre eles do que o meu próprio marido.


Podemos passear tranquilamente a qualquer hora do dia ou da noite. Não sentimos perigo, não vi nenhum bêbado ou drogado como encontro às vezes nas grandes capitais Européias. Devem existir, mas não o bastante para transbordar intensamente no meio da população como em Paris ou Londres por exemplo. Não vi também mendigos. Alias, minto. Só vi um sentado numa cadeira de roda. Ele parecia Indiano e tinha as duas pernas amputadas.


domingo, 18 de março de 2012

O guia de Sevilha


Logo após registrar a minha bagagem e sabendo que eu tinha uns quarenta e cinco minutos pela frente antes de embarcar, eu sentei num barzinho onde eu pedi um expresso e um *pain au chocolat*. Foi então que eu tirei o meu guia da bolsa. Eu só o tinha consultado para estudar o mapa e pesquisar um hotel situado o mais próximo possível dos passeios nos lugares históricos recomendados. Fora isso eu não sabia de nada a respeito de Sevilha.

Hora de embarcar. O meu assento ficava do lado corredor bem no fundo do avião. Não era um bom lugar mas não liguei muito e não lembro mais quanto tempo durou o vôo ou qual foi o lanche que foi servido. Eu já estava profundamente mergulhada na leitura do meu guia. Eu me deliciei com as primeiras paginas que falavam das peculiaridades de Sevilha: os seus botecos servindo tapas, as suas tradições religiosas, os seus toureiros, seus pátios, seus azulejos, a sua arte Mudéjar, a sua Feria de abril, o seu flamenco.

Ao chegar em Madrid eu me vi banhada por uma luminosidade festiva vindo do teto de vidro central do aeroporto e o meu espírito se animou imediatamente. Eu tinha umas três horas pela frente antes de pegar um vôo para Sevilha. O meu marido, vindo de um vôo de Lisboa pela TAP, ia chegar quase na hora de embarcar. Eu procurei um lugar confortável, para matar o tempo. Avistei um barzinho legal onde eu me deliciei com uma bela *tortilla*. A tortilla Espanhola é uma omelete que leva batatas e cebolas. Larguei um pouco o guia para não abusar demais a minha mente com informações sobre Sevilha.

Eu me dirigi para a sala de embarque e sentei bem ao lado do portão onde já havia uma fila de passageiros. Quando faltavam poucas pessoas, eu ouvi a inconfundível voz chamando o meu nome. Levantei os olhos e vi o meu marido vindo em minha direção. Ai sim! A viagem estava realmente começando! Sem ele eu viajo pela metade.

Subimos no avião e fomos cercados por passageiros Espanhóis que não paravam de falar em voz alta, quase gritando, com aquele jeito peculiar de dialogar. Eles trocavam papos com um tom de voz seco e ríspido apesar de que os diálogos pareciam alegres e animados. Mesmo estando confinada naquele assento desconfortável, eu já me senti imediatamente envolvida no universo dos soberbos toureadores e das belas Andaluzas. Retomei a leitura do meu guia para programar a primeira noite na misteriosa e sensual Sevilha!


Sevilha, a cidade dos mil perfumes


Um dos grandes momentos ao chegar a Sevilha, foi receber o extraordinário bafo de milhares de laranjeiras no rosto! Essas arvores florescem somente durante duas semanas. Os galhos eram cobertos ainda por botões que estavam para desabrochar junto com as flores que não paravam de exalar um hálito dos Deuses. Ao mesmo tempo havia as frutas, muitas laranjas enfeitando as arvores.

As ruas, as praças, os pátios, os becos e avenidas ficam perfumadíssimos. É algo impressionante. Como a primeira impressão é a que fica, eu sempre me lembrarei de Sevilha como uma cidade cheirosa!
Os cheiros são extremamente importantes para mim, tenho um olfato muito apurado e o odor das cidades é algo que noto logo.


Era uma sensação poderosa que me deixava quase tonta. Mesmo após uma semana na cidade eu conseguia sentir quase uma vertigem por causa do poderosíssimo perfume das laranjeiras. Às vezes eu parava no meio da rua, abria as narinas e fechava os olhos para poder apreciar plenamente o perfume que inundava as ruas, banhava o final da tarde.

O meu marido, muito mais alto do que eu, não conseguia colher nenhuma laranja que eu tanto queria provar. Mas foi melhor nem tentar porque um motorista de taxi me avisou que eram extremamente amargas e só serviam para preparar uns doces.

As laranjas de Sevilha são utilizadas na preparação da geléia que os Ingleses consomem no chá da manha. O motorista frisou ate que a rainha da Inglaterra sempre preferia a geléia feita com as laranjas colhidas em torno da Catedral e nos jardins do palácio Alcazar!

PS: Em anexo, fotos que eu tirei da fachada da FNAC em Sevilha

Sevilha e o *valet* cortês



O que me encantou em Sevilha, foi a gentileza do pessoal. Algo que me chamou muito a atenção foi o jeito peculiar como o *valet* me recebia cada vez que eu colocava o pé para fora do hotel.
Ele se curvava discretamente e me desejava bom-dia-boa-tarde-ou-boa-noite com a palma da mão tocando o coração. Parecia um pajem e eu era uma princesa em visita a corte Espanhola! Este gesto era extremamente gracioso e cortês. Não lembro ter visto os *valets* das cidades que eu já visitei me tratar com tanta fidalguia.

No ultimo dia eu pedi para ele colocar a mão no peito e tirei esta foto!


Sevilha, a cidade florida



Visitar Sevilha em plena primavera não é recomendável para quem sofre de rinite ou tem alergia a pólen.

A cidade esta repleta de arvores frutíferas e exala um poderoso cheiro, resultado da mistura de varias essências cada uma mais potente do que a outra e que ao se juntar formam um perfume sensual cujas moléculas parecem grudar em cada pêlo nasal dias a fio!

Aqui duas fotos que eu tirei. Pena que a tecnologia só consegue retransmitir as formas e as cores e não o odor, o cheiro, o perfume. Eu queria tanto repassar para você a sensação de adentrar nos jardins do palácio real Alcazar onde o aroma das laranjeiras se misturava ao cheiro das roseiras selvagens.



Avistei, a partir de uma passarela, umas arvores cujas flores brancas lembravam umas cerejeiras, mas não me aproximei, portanto eu não posso afirmar que eram. Havia também umas delicadas glicínias. Vejam os seus cachos languidos caindo de um caramanchão

No jardim da casa de Pilatos eu fiquei extasiada diante de uma clibias plantadas em vasos cujo laranja vivo contrastava maravilhosamente com o verde resplandecente das suas folhas. Um velho jardineiro talhava uns buxinhos. Eu me emocionei ao sentir o odor peculiar desses arbustos podados que formavam umas bordaduras.

Em outras partes eles eram esculpidos em topiarias arredondadas ou formavam uns labirintos.

Para trazer comigo ao Brasil um pouquinho das essências Sevilhanas, entrei numa perfumaria da Plaza Nueva e comprei um frasco de perfume da marca AGUA DE SEVILLA. Levei um da linha Água Real, escolhi o com cheiro balsâmico.

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A primeira noite em Sevilha

Adorei um detalhe bem charmoso: todas as portas dos quartos do hotel, onde eu me hospedei, são cobertas com uns fragmentos ampliados dos quadros mais famosos do pintor Velásquez, nascido na cidade! Não somente aquilo deixava os corredores com um visual bem impactante como facilitava também na hora de achar o nosso apartamento.

Havia uma porta com a anã, outra com a princesa e uma terceira com o pintor, todos do quadro LAS NINAS. A minha porta recebeu a adorável imagem do pequeno príncipe Baltasar cavalgando. Era tão agradável percorrer o corredor com todas essas figuras tão expressivas nos fitando com intensidade!

Ao entrar no quarto eu tive a agradável surpresa de ter uma janela dando para o pátio interno da igreja Santa Magdalena. Varias ruas perto da redondeza eram pedestres. A, de mão única, que passava na frente do hotel era tão estreita que os carros passavam bem devagar. Não havia barulhos de cidade grande chegando até o meu quarto.

Dava par dormir de janela aberta. Os sinos dobravam sem estardalhaços até bem tarde na noite e este ruído me fazia mergulhar numa profunda paz interior. Este som é divino, ele tem o poder de espalhar uma calda de serenidade por cima dos telhados. É um som protetor que nos faz adormecer com facilidade como uma canção de ninar.


Chegamos às 17h30min e logo após deixar as malas e tomar um banho ligeiro, estávamos prontos para sair. Ao passar pela recepção, recebemos um convite para provar uma iguaria típica no Bar de tapas do nosso hotel: a famosa COLA DEL TORO. É simplesmente O RABO DO TOURO guisado e servido com batatas inglesas.

Provamos o prato em duas ocasiões e apresentado de duas maneiras: O rabo fatiado  (carne e ossos juntos) servido com batatas cortadas em pedaços grossos e a carne do rabo desfiada e sem osso, servida com purê de batatas. Não é algo sofisticado. É um prato bem rústico que vale a pena ser conhecido.


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