quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Palacio EL REAL ALCAZAR

Todas as fotos são da minha autoria. No sexto dia em Sevilha, decidimos visitar o palácio real chamado EL REAL ALCAZAR. Vale passar uma manhã inteira porque o lugar é grande e espetacular. Serve até hoje de residência oficial dos monarcas Espanhóis quando estão de passagem à Sevilha. Pagamos a entrada comum para visitar o palácio na planta baixa, e pagamos outra entrada especial para visitar os aposentos do 1º andar onde os reis passam as férias até hoje. O palácio foi declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Ele foi construído em varias épocas, portanto mistura o estilo gótico, mudejar, renascentista e rococó. A muralha almohade e o pátio de gesso (foto ao lado) mostram as suas origens muçulmanas.





Aqui ao lado, partes do Pátio das Bonecas. O seu nome vem do fato que vários rostos de meninas foram esculpidos na renda de pedra. Parece que dá sorte descobrir essas carinhas sem a ajuda de ninguém. Eu não sabia deste detalhes, portanto não procurei, mas me encantei diante desta maravilha. Quanta paciência, quanta dedicação. Impressionante!
Tirei foto deste detalhe mas a imagem ficou meio desbotada por causa do sol, que está presente o tempo todo.

Aqui um detalhe da façada do palácio visto a partir do Pátio de La Monteria.
Detalhes de uma porta...

 
Havia algo muito interessante para visitar: uma bela coleção de objetos pessoais do pessoal da corte, como leques antigos, por exemplo. Adorei um de marfim e penas de cisne. Amei também uma apresentação interessante de umas imagens de azulejos projetadas no chão nos explicando a variedade das cerâmicas e suas origens.

Detalhes de uma janela...
O belo Pátio das Donzelas, situado perto dos aposentos das damas.

Eu já postei fotos de algumas flores do jardim do REAL ALCAZAR (primeiros posts do marcador intitulado *Sevilha*). O jardim é realmente deslumbrante. Esta foto foi tirada a partir de um corredor suspenso chamado Galeria del Grutesco. Ele possui fontes, falsas grutas, e mistura vários estilos (árabe, francês etc.)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Passeio à cavalo e jantar estranho em Sevilha...

Final do quinto dia em Sevilha. Após passar a manhã no bairro Triana, de visitar o monastério San Clemente e de visitar La Maestranza, decidi subir numa carruagem aberta para passear pelas ruas tranqüilas da cidade durante uma hora. O meu marido chiou um pouco no inicio, reclamou do valor que íamos gastar, mas no final cedeu aos meus apelos.


Valeu muito aquele passeio. Andei muito, rodei demais pela cidade. Eu caminhava todos os dias durante umas 6 horas. Vi muitos becos, muitas pracinhas, mas andar de carruagem tem um encanto particular. Aqui a foto daquela em que subimos...

Quando caminhamos, devemos prestar atenção onde pisamos. Durante o passeio com o cavalo, eu não tinha que me preocupar com o piso íngreme, com as calçadas, com os transeuntes vindo na nossa direção, então eu pude levantar o nariz e notar um monte de detalhes dos andares dos edifícios. Aqui passando perto do palácio El Real Alcázar (visitei no dia seguinte, contarei depois).

Eu tinha pedido para o cocheiro terminar o passeio diante da igreja Santa Ana que eu quis visitar pela manhã. Como era fechada, eu decidi voltar para visitar o seu interior. Andando pelo bairro, o homem não parou de interpelar alguns moradores. Às vezes passava por um bar e gritava algo para avisar que voltaria mais tarde. Dava para ver que todo mundo se conhece, que tem ainda um espírito bem paroquial. Aqui passando pela La Torre Del Oro...









A igreja Santa Ana é realmente preciosa. Serviu durante certo tempo como catedral. Quando chegamos, havia uma missa do 7º dia e pelo que eu pude observar, devia ser um homem relativamente jovem que havia falecido. Uma mulher em prato, com um filho na faixa dos dez anos ao seu lado, recebia os abraços de uns parentes fazendo fila. É tão estranho presenciar um momento tão intimo, uma reunião familiar tão particular. Eu me senti uma *voyeur*. Acabamos não ficando por muito tempo.
 
Depois disso, fomos andando a pé até a Plaza de Cuba e de lá pegamos um taxi que nos deixou perto do hotel. Caminhamos a seguir até o restaurante chamado Las Piletas. É situado não muito longe de La Maestranza e toda a sua decoração tem como tema o universo das corridas. Tem cabeças de touros nas paredes e ferros para marcar os animais. Servem pratos andaluzes e comida mediterrânea. Eu inventei de querer provar mais uma coisa na minha vida, então eu pedi anêmonas-do-mar. São aqueles bichinhos que parecem flores, mas não o são. São da família das águas vivas e tem tentáculos. Eu li que eram empanadas e fritas, pensei que daria para encarar. Francamente, foi uma das piores coisas que eu já comi. De fora até que ficaram bonitinhas, mas após morder tem uma gosma verde saindo de dentro. Qual é o sabor? Tem gosto de... gosma verde! Engoli duas só para tentar entender como alguém consegue oferecer isto num cardápio. Depois parei... Ao voltar andando até o nosso hotel, vimos alguns homens cantando flamenco em pé na porta de um bar de tapas. Fim do quinto dia em Sevilha...


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

La Maestranza de Sevilha


Depois de visitar o convento San Clemente, resolvemos visitar La Maestranza de Sevilha, ou se vocês preferem, a famosa praça dos touros. As arquibancadas têm lugares para 18.000 espectadores.
Mesmo para quem não concorda com as touradas, recomendo um passeio até a Maestranza. Não suporto ver animais sofrendo e nem sei se eu teria estômago para assistir tal massacre, mas não tem como ficar indiferente diante desta visão. Lembra as famosas arenas dos romanos onde Cristãos eram atirados as feras e quanto mais sangrento era o espetáculo, mais enlouquecida ficava a platéia. Os tempos são outros, agora são os cristãos que curtem ver o massacre das feras...
Aqui a porta por onde os touros entram na arena. É chamada de Puerta de Toriles. A palavra arena quer dizer areia em Latim. Este material tem a finalidade de absorver o sangue dos sacrificados. O corpo do touro morto sai pela Puerta de Arrastre e os toureadores feridos são levados pela Puerta de la Enfermería.


Após visitar a parte externa, fomos conduzidas por uma guia simpática até o museu que explica tudo a respeito das touradas. Podemos ver a capela onde os toureadores rezam antes de entrar na arena.

Pelo que entendi, as touradas têm origens medievais. Seguem o padrão das cavalhadas durante as quais dois cavaleiros, usando pesadas armaduras, competiam. Cada um tentava atingir o outro com uma lança. Depois disso veio umas modificações como essas cabeças de madeira usadas como alvos. Os cavaleiros deviam derrubá-las.
Os touros difíceis, aqueles que foram invencíveis, são reverenciados. As cabeças empalhadas dos mais famosos encontram-se no museu. Têm também os temidos, aqueles que mataram os mais corajosos toureadores. Quando certa vez, um deles massacrou o toureador mais idolatrado do momento, sua mãe foi sacrificada para o público ter a certeza que não haveria outro animal tão assassino na arena.

Visitamos também as estrebarias. Umas figuras eqüinas aparecem em todos os detalhes como, por exemplo, nas argolas onde os cavalos são amarrados…









na torneira e nos azulejos ...













ou no topo da grade...

















Podemos admirar uma bela coleção de telas representando os toureadores trajando a roupa típica, chamada de traje de luces. Essa indumentária é de seda e é coberta de lantejoulas douradas.

Adoro a elegantes posturas dos toureadores que enfrentam a morte com gestos tremendamente nobres e graciosos. Nada é vulgar ou sordido...











 

Aqui uma das portas de entrada do publico...

¡Mira el sombrero del hombre! 

O passeio do quinto dia não terminou. Tenho coisas para contar ainda num próximo post. 




domingo, 5 de fevereiro de 2012

Mais uma música Espanhola para temperar a nossa viagem

Não há no mundo um país que mais me encanta. Amo de paixão a Espanha. Desde o primeiro dia em que pisei por lá, quando eu tinha uns dez anos. Sinto-me profundamente tocada pela sua cultura. Tudo me encanta, tudo me maravilha. Para mim é o país mais marcante e exótico da Europa. Lembrarei eternamente dos vários verões que passei por lá. Meus pais eram jovens e fizeram amizade com pessoas de Zaragoza. Alugavam a mesma casa de pescadores todos os anos. Vivíamos trajando roupas de banho até as 18:00, hora em que nos arrumávamos para ir dançar numa pista ao ar livre. Éramos bronzeados e mergulhávamos num mar muito mais salgado que o atlântico. Íamos até o porto ver os barcos de pesca voltando do mar carregados de peixes. Lembranças, tantas lembranças da Espanha do meu passado, Espanha puritana de Franco, Espanha puritana e orgulhosa daqueles tempos que se foram para sempre...

Eu vou postar uma deliciosa canção espanhola que fiquei ouvindo sem parar junto com outras que postarei depois. Mergulhei intensamente nos vídeos do youtube atrás de perolas. Essa é divina...




quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Entre o bar gay e o monastério de San Clemente - Sevilha



Faz cinco dias que estamos em Sevilha. Hoje de manhã, antes de sair rumo ao bairro de Triana, estudei o meu guia. Ele recomenda uma visita à capela do Monastério de San Clemente que tem setecentos e cinquenta anos, e avisa também que temos que marcar hora antes. Desci até a portaria do hotel e pedi ajuda ao concierge. Este ligou par o lugar e repetiu o que uma freira havia lhe dito: poderíamos tentar a sorte chegando as 04:00 da tarde. Não havia nada de definido...


Após almoçar no Kiosco de las Flores, pegamos um taxi para ir até Monastério. Como faltam uns trinta e cinco bons minutos para o horário estipulado pela freira, decidimos procurar um barzinho. Rodamos um pouco até achar um aberto. Ao entrar, vejo que o lugar pode muito bem servir de cenário para um filme de Pedro Almodóvar. Aqui um dos detalhes da decoração bem Kitsch!













O garçom faz questão de desmunhecar. Apesar de ter pedindo somente uns sucos, uma água e um cafezinho, ele coloca diante de nós um pratinho com miúdos de galinha e avisa que é oferta da casa. Aconteceram outras coisinhas, mas essas foram guardadas para o texto que vai sair sábado no jornal...





 





Amei ficar neste bar. Adorei o garçom divertido, mas infelizmente, tenho encontro marcado com uma freira! Após pagar, saímos e andamos até o Monastério. Portão trancado, toco a campainha. Uma voz quer saber o que desejo. Explico que só quero ver a igreja. A freira avisa que é impossível. Imploro com voz de choro. O meu lamento funcionou. A freira me repassa algumas dicas para chegar até ela. O portão se abre...
 










Seguí todas as intruções e enfim chego até o claustro. Descubro que só poderei conhecer a capela a uma condição:  para ajudar o convento, devo comprar alguns doces preparados pelas freiras. 






Tivemos direito de ficar somente poucos minutos na capela. Ela é incrivelmente bela. Tirei uma única foto e me arrependi depois. Não somente o resultado foi péssimo já que eu registrei o lugar às pressas (tempo contato). A luminosidade é precária e o ângulo é péssimo. Tive a impressão de agir como uma profana. Vivenciei momentos especiais...

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Carmen, filme de Carlos Saura (1983)

Para acompanhar o nosso passeio à Sevilha. Sempre amei de paixão a Espanha, desde que eu a conheci quando tinha 10 anos. A sua cultura me encanta mais do que todas as outras. Assisti este filme de Carlos Saura em 1984, logo depois que foi lançado. Vejam esta maravilhosa cena de sapateado. É fascinante! A câmera à altura dos pés, seguindo os passos. Maravilha!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A trilha sonora que me acompanha nesses dias ...

Eu adoro mergulhar intensamente em tudo que faço. Assim que decidi escrever sobre Sevilha, passei a escutar somente música Flamenca. Eu acabei de rebolar na cadeira. Eu estava diante do computador fazendo de conta que eu tinha castanholas nas mãos. Viajo facilmente na maionesa!




Kiosco de las flores e caças rumo ao Norte da Africa


Na manha do quinto dia, retomamos os nossos passeios. Andamos um bocado até bater do outro lado do rio Guadalquivir. Após chegar à movimentada Plaza de Cuba, percorremos a Calle Betis e fomos passeando calmamente no aprazível bairro chamado Triana. 


Ao meio dia, fomos atrás de um lugar para almoçar. Eu já o tinha escolhi na véspera. Trata se do Kiosco de las flores. O lugar, feito de tijolos pintados com tinta branca, é bem rústico. Fazendo sol, preferi sentar do lado de fora. As especialidades da casa:  frutos do mar e peixes fritos. Pedimos ova de peixe, lula e uns pimentões vermelhos refogados no azeite. O quiosque anda bem protegido, aqui também tem uma santa protetora de azulejos!

Procurando pelo toalete para lavar as mãos, acabei conversando um pouquinho com a dona do estabelecimento. É uma típica espanhola de meia idade. É corpulenta e ostenta um crucifixo no peito. Já falei que o espanhol é muito família. A prova esta bem aqui nas paredes deste bar. Há fotos de parentes em preto e branco por toda parte. Numas, podemos ver aquela senhora quando era mais jovem e mais formosa. Avisto umas mais recentes e coloridas representando uns meninos. Pergunto quem são, então a orgulhosa abuela responde que são os seus netos! Pensando bem, eu também sou meio espanhola. Sou volumosa, devota de Nossa Senhora e ando com a foto da neta na carteira!
Voltando até a mesa, noto que o jardim é protegido por outro santo. Deu-me vontade de comprar alguma imagem religiosa de grande tamanho para ornamentar a minha casa. O meu marido vetou. Só trouxe uma cruz e uma mini pia de água benta, ambas de cerâmica colorida. Elas estão pregadas na parede “santificada” que fica perto da entrada do meu quarto. É onde acumulo todas as santas que encontro nas minhas andanças.
Aqui um lugar para tomar um solzinho e admirar a paisagem enquanto os pratos não chegam. Em frente da gente, do outro lado do rio, esta a famosa Torre Del Oro (primeira foto deste post). A origem do nome da torre se deve ao fato que antigamente era coberta por azulejos dourados. Hoje é o museu naval, mas antes era depósito das riquezas trazidas do Novo Mundo, ou melhor, dizer, das “Índias”. A serenidade do lugar só foi perturbada quando vários caças sobrevoaram o céu. Pela posição do rio e da torre, calculamos que eles estavam indo para o sudoeste e deduzimos que podia ser em direção da Líbia. Enfim, os conflitos continuam. O mundo cristão em guerra com o mundo islâmico. Sempre existiu e sempre haverá. Infelizmente...
 
Depois do almoço, eu queria visitar a igreja Santa Ana, mas infelizmente ela estava fechada. Voltei mais tarde, mas comentarei depois. Sobre o fechamento de modo geral, tem que tomar muito cuidado porque muitos lugares fecham na hora da siesta (entre as 14:00 e 17:00).
De toda maneira, mesmo estando fechada, dei umas voltas em torno da igreja para tirar fotos das suas belas santas. Não havia viva alma nas ruas nesta hora do dia. E olhem que era primavera, fazia um friozinho de leve, algo bem gostoso, mesmo o sol estando brilhando. Imaginei como deviam se comportar os habitantes durante o verão. Falando nisso, vi algo curioso em algumas janelas, não em todas. Havia um tipo de esteira de palha enrolada acima das janelas e que deve ser usada para fazer sombra. Formava um enorme rolo grosseiro, algo quase desgracioso, algo bem rústico e em contraste com a fachada coberta por refinados azulejos. Não vi isso em todas as janelas, só em algumas. Talvez seja algum costume do passado que praticamente não existe mais. Achei interessante.

Pela placa avisando os horários, a igreja deveria estar aberta, mas só encontrei portas trancadas. Entrei num barzinho situado em frente à igreja e com o meu portunhol arretado, pedi informações. O exagero de imagens invade até os botecos. Vejam que o Cristo e as santas são onipresentes. Como é que alguém pode ousar tomar um porre sendo observado por Nossa Senhora! ?

E tem mais. Tirei foto da outra religião dos Sevilhanos. Esses são os seus deuses bárbaros. São idolatrados em toda parte. O garçom me explicou que muitos deles nasceram no bairro e freqüentam de vez em quando o lugar.

Ayuntamiento, empadillas e percebes

Agora vou relatar como foi o final do nosso quarto dia em Sevilla. Após visitar o palácio Lebrija, almoçar na Plaza Nueva, conhecer a casa de Pilatos, fomos correndo até o Ayutamiento (prefeitura). O meu guia da Hachette avisava que chegando as 17:30 em ponto na terça, quarta e quinta, podíamos participar de uma visita guiada. (em anexo, tirei foto dessas graciosas mulheres quando me dirigia à prefeitura).


Já tínhamos passado várias vezes diante das duas fachadas da prefeitura. Tem a neoclássica que fica na Plaza Nueva e que foi acrescentada ao edifício no século XIX. Agora tem a outra, a espetacular fachada renascentista situada na Plaza San Francisco.
Mesma coisa que para as outras visitas. Éramos pouquíssimas pessoas. Devia ter umas dez no máximo. Eu sempre esperava a tropinha avançar para tirar as fotos. Fomos guiados por uma senhora severa que recitava a toda velocidade fatos, nomes, guerras, reis e datas em castelhano. Não entendi bulhufas, mas não tinha a menor importância. Afinal, não se aprende a historia de uma cidade secular num espaço de poucos dias. O lugar é realmente bonito e suntuoso. Em alguns cantos, parece que o um prédio mais novo foi construído em torno das ruínas de outro anterior. 

Após sair da prefeitura, voltamos rapidamente ao nosso quarto para nos preparar para o jantar. A caminho, passei em frente de uma padaria situada ao lado do hotel. Todos os dias eu ficava zarolha de tanto babar diante da vitrina. Não agüentei, não resisti, entrei e comprei aqueles bolos que figuram na parte superior. Estou falando dos cobertos de açúcar. Dentro tem um recheio de maça. Comi já um ali mesmo, em pé e antes de pagar! Havia um toque sutil, quase imperceptível. Enquanto saboreava, fechei um pouco os olhos para me concentrar. Saquei! Havia uma pitada de erva doce dentro da massa! A moça do caixa não soube me confirmar então ao chegar ao hotel, pesquisei no Google espanhol, achei a receita e realmente leva erva doce, ou melhor, leva anis. Este bolo era de comer rezando!

De noite fomos jantar num restaurante especializado em frutos do mar - que adoro, diga-se de passagem. O lugar chama-se EL ESPIGÓN. Provei pela primeira vez outro molusco. Eu já tinha ouvido falar, mas nunca havia encontrado. Chama-se Percebes. O negocio não é bonitinho. Parece a garra de algum bicho pré-histórico! Agora que é uma delicia, isso sim! Na mesa vizinha, três pessoas conversando animadamente. Só que não conversavam entre elas. Cada um falava com alguém pelo celular. Isso durou um bom tempo! As comidas chegando, e os três papeando com pessoas pelo telefone. Enquanto isso, eu em tête-à-tête com meu eterno namorado: o marido! Sempre temos assuntos para conversar.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Casa de Pilatos

Depois do primeiro passeio pela manha, fomos almoçar uma salada na plaza Nueva e depois fomos para a casa de Pilatos. Não falei que havia quase ninguém visitando o palácio Lebrija? Mesma coisa para a casa de Pilatos (palácio de san Andrés). É verdade que éramos em março e o pessoal chega para o desfile das irmandades que acontece na época da Páscoa, em abril.  Aqui foto do detalhe da pedra rendada.
 
Deve-se também pelo fato que os turistas procuram os lugares mais batidos, mais comuns. Em Veneza, fui conhecer lugares absurdamente vazios, enquanto todo mundo se concentra na Praça San Marcos. Como se Veneza fosse somente esta praça. Aqui, foto de uma casa vizinha, vista a partir do precioso jardim.
Mesma coisa para Sevilha. Tem lugares impressionantemente belos como esta casa, por exemplo, que mistura três estilos: o gótico, o renascentista e o mudejar. Parte da família ducal Medinaceli vive ainda neste lugar. A origem do seu nome é a seguinte: de volta de Jerusalém, Dom Fadrique instaurou um caminho da cruz entre o seu palácio e a igreja Cruz del Campo. O caminho percorrido seria o mesmo que separava a casa de Pôncio Pilatos do monte de Gólgota.
Aqui o famoso amarelo sol, que sempre reencontro, dividindo espaço com antenas parabólicas...
 
O pátio interno é belíssimo e possui uma fonte central. Podemos ver uma estatua grega representando Atena. Data de 500 anos antes do Cristo!
Tudo é delicado e exageradamente decorado. Fico admirativa diante desta obra, tantos detalhes nas paredes, nas portas, nos tetos, nos moveis. Naqueles tempos, não havia TV, radio, internet, shows, shopping Center, cinema. O pessoal vivia ocupando as mãos e as mentes.
Sou fascinada por esses terraços. Quem mora ali? Qual é a realidade da dona da casa. Nem sabe que a sua moradia esta sendo observada e fotografada por uma francesa que mora no Brasil.
Os jardins são espetaculares. Havia uma equipe de jardineiros trabalhando. A mistura de cheiros de plantas era inebriante. Não havia barulhos urbanos, só escutávamos o murmúrio das fontes